23/05/2017 - 13:31

Por: Assessoria

Brasil tem 4,2 milhões de possíveis doadores de medula óssea


   A conscientização é a parte mais importante para as pessoas doarem medula óssea. Atualmente, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) tem 4,2 milhões de pessoas cadastradas como possíveis doadores. Anualmente, são feitos em torno de 300 mil novos cadastros.

   Essas informações foram repassadas pelo ex-diretor do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luis Fernando Bouzas, durante audiência pública realizada na manhã de hoje (23), na Assembleia Legislativa, para esclarecer a população sobre a importância da conscientização da doação de medula óssea.

   Segundo Bouzas, o Brasil tem atualmente o maior cadastro público do mundo. “Mas é preciso que os doadores tenham a consciência de que ele não é doador para uma pessoa específica, para um vizinho ou um amigo, mas para quem necessita da medula óssea. Um doador que tem hoje 18 ou 20 anos de idade vai ser utilizado pelo registro quando tiver 60 anos de idade. Ele tem que se manter comprometido com a decisão que tomou em fazer parte do cadastro”, explicou Luiz Bouzas.

   Ele ainda explicou que o transplante de medula está indicado para mais de 70 tipos diferentes de doenças. Mas apenas de 25% a 30% dos pacientes que necessitam de um transplante encontram um doador compatível na família.

   “Esse doador na família geralmente é um irmão. Então, os outros 70 ou 75% vão depender de um doador que pode ser encontrado na população.  Essas pessoas entre 18 e 55 anos de idade são cadastradas, têm que estar em boas condições de saúde para que no cruzamento genético possa encontrar um doador compatível e realizar o transplante no paciente”, explicou Bouzas.

   O Redome foi criado em 1993 e durante seis anos não teve apoio público ou privado, mas quando foi transferido para o Instituto Nacional do Câncer (Inca) houve um grande movimento para o suporte do programa. Somente a partir de 2003, quando tinha em torno de 35 mil doadores cadastrados, o Inca mudou a forma de gerenciar o registro com a orientação do Ministério da Saúde. 

   “Isso foi fundamental para começarmos a atuar em todo o Brasil com apoio dos hemocentros públicos e dos laboratórios de genéticas. Hoje, o Redome é o terceiro maior registro do mundo, com 4,2 milhões de doadores de medula óssea. Isso ajuda muitos pacientes porque facilita encontrar um doador. O índice de encontro de doador, que era de 12 a 13% em 2003, nos dias de hoje gira em torno de 80%”, disse Bouzas.

   A diretora do Hemocentro de Cuiabá, Silvana Salomão, afirmou que tem a autorização para 10 mil coletas, mas essa coleta está concentrada em Cuiabá. A intenção é fazer a descentralização desse procedimento.

   “Pretendemos levar para o interior e buscar os nativos, os quilombolas e os indígenas que diferenciam do fenótipo já encontrado em nossa região, que é de sulista. O Hemocentro está fazendo um trabalho muito forte em relação a isso, mas precisamos ter a autorização do Inca e, com isso, ter a infraestrutura para receber os doadores nas 17 unidades de coletas que o estado nos oferece”, disse Salomão.

   O policial militar Robson Trindade Siqueira, de 25 anos, disse que realizou o transplante de medula óssea quando tinha 19 anos. O procedimento foi realizado em Ribeirão Preto (SP) com a medula de uma doadora de Curitiba. Segundo ele, o gasto total do procedimento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi de R$ 600 mil.

   Siqueira descobriu que estava doente quando apareceram manchas pelo corpo, sangramento, desmaio e fraqueza. “Não estava me alimentando bem. Não conseguia mais correr. Tinha fortes dores no corpo. Fui ao médico e um exame de hemograma identificou que tinha alguma coisa errada”, disse Siqueira. No Hospital de Câncer, em Cuiabá, ele constatou que estava com aplasia de medula óssea. De imediato, começou o tratamento. “Depois do transplante, a minha vida teve uma nova história. Nasceu uma nova chance de vida. Concluí meu curso e, com isso, realizei meu sonho. Tive outra qualidade de vida. Não basta somente viver, mas tem que viver com qualidade de vida. Hoje tenho duas datas de nascimento”, explicou Siqueira.       

   “É o Hemocentro que faz a orientação, o cadastro e que orienta o possível doador de medula óssea. A diretriz é dada pelo Hemocentro com base na orientação do Inca. O programa de captação de medula óssea são dados pelo Inca, mas quem as realiza nos estados são os Hemocentros públicos”. A afirmação é da coordenadora técnica do MT/Hemocentro, Suely Araújo

   O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), disse que vai propor à Mesa Diretora que parte dos recursos investidos no setor de comunicação da Casa, algo em torno de R$ 20 milhões ano, sejam utilizados em campanha de conscientização para a saúde pública em Mato Grosso.

   “Mato Grosso ainda não faz o transplante. Vou trabalhar para que isso seja revertido e feito em Mato Grosso. Mas para isso é preciso direcionar recursos do orçamento para esse segmento da saúde. Os investimentos precisam ser feitos para conscientizar a população a doar medula óssea”, disse Maluf.

   O deputado Dr. Leonardo (PSD), ao presidir a audiência pública, disse que é necessário chamar a atenção tanto da sociedade e do governo e, dessa forma, desmistificar o medo que as pessoas têm de fazer a doação da medula óssea. Segundo ele, é preciso que esse serviço seja descentralizado e expandido às outras regiões mato-grossenses.

   “Muitas pessoas enfrentam dificuldades para se deslocar até a capital para realizar a doação da medula óssea. Por isso, é preciso levar o procedimento de coleta para outras cidades para expandir o número de doadores de medula óssea. O transplante da medula óssea não é somente para a leucemia, mas para outras patologias”, disse Dr. Leonardo.

   Hoje, de acordo com Dr. Leonardo, Mato Grosso conta com 38 mil pessoas cadastradas para doação, mas há possibilidade de ampliar o cadastro para mais dez mil pessoas. “Isso será fundamental para que nosso banco genético seja mais eficaz e propicie melhorar a compatibilidade entre os doadores e pacientes. Esse tipo de ação vai ampliar o número de pessoas doadoras e melhorar a compatibilidade genética”, explicou Dr. Leonardo, que presidiu a audiência pública. 

 







Elzis Carvalho/Secretaria de Comunicação

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