Zaki News

08/10/2016 - 07:16

Por: Sinézio Alcântara

Quem ganhou e quem perdeu nas eleições em Cáceres?


   Quem ganhou e quem mais perdeu nas eleições em Cáceres? Qual o recado das urnas? Geralmente essas e outras indagações costumam aparecer após a realização de pleitos ocorridos com resultados surpreendentes, como o de domingo. Pois bem. Vamos fazer uma resumida análise, com algumas respostas sobre a situação. Quem ganhou, pelo menos, nisso temos certeza, foi a democracia. Todo processo transcorreu em consonância com a legislação eleitoral vigente.

   Apesar do elevado índice de abstenção, 16.054 votos jogados fora – cerca de 25%, do total, o eleitor cacerense exerceu de forma pacifica e ordeira o seu direito de escolher, através do voto livre e consciente, o prefeito e o vereador que irão representá-lo no Executivo e Legislativo, respectivamente, de 1º de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2020. Se a escolha foi acertada só o tempo dirá.

   Quem também ganhou, certamente, foi o povo. A maioria entendeu que a administração do prefeito Francis Maris, está no caminho certo. A população reconheceu que, apesar da crise financeira que assola grande parte do país, com Estados e Prefeituras, endividados, salários de servidores atrasados e obras paralisadas, em Cáceres a situação é diferente. O servidor está com o salário em dia e as obras, mesmo que lentas, são executadas gradativamente.

   Muitos perderam. A começar pelo professor Adriano Silva, que pode ter colocado sua vida pública em xeque, depois de sofrer duas derrotas consecutivas. A primeira para deputado estadual em 2014 e agora para prefeito. Adriano pecou por ter feito uma escolha equivocada, ao enfrentar as duas maiores lideranças políticas não só do município, mas também da região, sem estrutura lojistica e financeira suficientes.

   Perdeu também a humilde e trabalhadora comunidade do Caramujo. O único representante do distrito, o vereador Manoel Leiteiro, não se reelegeu. Nesse caso pesaram alguns erros táticos, além da vaidade e teimosia, dos outros candidatos do local. Nenê Pereira, não teve votos suficientes e Luiz da Guia, mesmo tendo o registro da candidatura indeferido, continuou a campanha, como se nada estivesse acontecendo, o que levou a tirar votos de quem realmente, estava apto para a disputa.

   Também sai fragilizada do pleito, a categoria dos servidores públicos municipais. Com apoio do sindicato da categoria, que engloba mais de 1500 funcionários, o motorista Fábio Lourenço, teve uma votação aquém da esperada. O servidor Josué Alcântara, que também esperava uma “mãozinha” dos colegas, a exemplo de Fábio, não obteve o êxito necessário. Embora sendo bem mais votado que Fábio, que é ligado diretamente a direção sindical. Ou seja: os próprios servidores se dividem quando o assunto e eleição. Moral da história: continuam sem um representante no legislativo.

   Também desprestigiada saiu a família Lacerda. O clã dos Lacerda que já teve governador do Estado e Senador da República (Marcio Lacerda) e deputado estadual e secretário de Estado (Zezinho Lacerda), não conseguiu reeleger o vereador e presidente da Câmara Marcinho Lacerda. A prova foi o fraco desempenho de Marcinho nas urnas onde obteve apenas 601 votos. Pouco mais de um terço do que conseguiu em 2012 quando foi o vereador mais votado, com 1.714 votos. O que deixa claro e evidente que a influência política da família é coisa do passado.

   A imprensa local também saiu enfraquecida. Além de perder os dois representantes da categoria, não elegeu os outros que pleiteavam uma cadeira no parlamento. O jornalista Edmilson Campos, o “Café no Bule” e o radialista Edmilson Tavares, foram derrotados. Edmilson que apostou na estratégia de bater de frente com o prefeito, durante os quase quatro anos, errou. A população entendeu que esse tipo de fazer política está abolido. O café azedou.

   O seu xará Tavares, por sua vez, também ficou pelo meio do caminho. E, os dois candidatos ligados a classe, Garcia da Difusora e Julinho Vidal, receberam uma votação pífia.

   A educação, pilar fundamental de qualquer nação desenvolvida, infelizmente, em Cáceres, também fica sem representante no legislativo. Os candidatos Orlandir Rondon, presidente do Sindicato dos Professores da rede estadual e João de Deus, professor da Unemat, não obtiveram êxito em suas respectivas candidaturas. De se lamentar.

   O que se conclui com isso é que política é um exercício que requer muita, agilidade e trabalho prestado a comunidade. O recado das urnas está claro. A população passou a abominar agentes públicos que só lembram dos eleitores às vésperas das eleições; quer políticos de atitudes, que apresentem projetos de interesses da população, não os que passam 4 anos, reivindicando moções da aplausos, apresentando denominação de ruas e, títulos de cidadão honorário, visando interesses próprios. É também um alerta para os novos eleitos. Se não mudar o jeito de atuar, certamente, estarão fadados a serem vereadores de um único mandato.

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