25/08/2016 - 15:47

Por: G1

Mato Grosso é o 11º estado brasileiro líder em mortes por arma de fogo, segundo estudo


   Mato Grosso é o 11º estado brasileiro com mais mortes causadas por arma de fogo, segundo levantamento do estudo “Mapa da Violência 2016”, coordenado pelo professor e sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisa do Instituto Sangari e coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO). O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (25).

   Os dados do estudo mostram que Mato Grosso tem uma taxa de homicídios por arma de fogo de 26,2 para cada 100 mil habitantes. Mato Grosso tem taxa média acima da nacional, que é de 21,2. A pesquisa usou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Ministério da Saúde de 2014. O estudo avaliou dados de mortes causadas por acidente, homicídio, suicídio ou motivo indeterminado causadas com uso de arma de fogo entre 1980 e 2014. Os três primeiros estados no levantamento são Alagoas (taxa de 56,1), Ceará (42,9) e Sergipe (41,2).

   Em Mato Grosso, o Mapa da Violência mostra também que os assassinatos por arma de fogo, entre 2004 e 2014, cresceram 86,1%. Em 2004 foram 454 homicídios. Já em 2014 os números foram de 845. Desse período, entre 2004 e 2014, o ano considerado com maior taxa foi em 2014, com 26,2 para cada 100 mil habitantes.

   Avaliação

   Naldson Ramos da Costa, sociólogo e membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania (Nievci) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, avalia que os dados apresentados pelo estudo são reflexos da ausência de políticas públicas de prevenção aos crimes.

   “Isso também reflete que a política do desarmamento não foi colocada em prática pelos órgãos de fiscalização. Há muitas armas de fogo em circulação e casos relacionados com a arma de fogo. Esse instrumento [a arma de fogo] é potencializador dessas mortes. Esses homicídios ocorreram com tanta frequência porque há muita certeza da impunidade”, declarou ao G1. Naldson estuda casos de violência há mais de 15 anos.

   O levantamento ainda percebe que, considerando os incrementos populacionais do período, as taxas de homicídios por arma de fogo no país têm um moderado crescimento de 11,1%, e nas capitais as taxas caem 3,8%. Dessa forma, enquanto fora das capitais as taxas tendem a crescer, nas capitais tendem a estabilizar e até cair levemente.

   Cuiabá

   No ranking das capitais, Cuiabá aparece em 14º lugar, com taxa média de 34,7 mortes provocadas por arma de fogo em 2014 a cada 100 mil habitantes. Cuiabá ainda fica acima da média nacional, que é de 30,3. No ano de 2004 a capital de Mato Grosso aparecia em  9º lugar, com taxa de 32,4 mortes a cada 100 mil habitantes.

   “No nosso estado, entre os anos de 2013 e 2015, houve a atuação de grupos de extermínio. Só depois de anos matando é que veio a público a revelação que esse grupo existia e tinha a participação de policiais. Isso mostra a fragilidade dos órgãos de segurança pública e principalmente na investigação logo em seguida que o crime acontece”, criticou o sociólogo.

   O caso citado por Naldson ocorreu em abril deste ano, na Operação 'Mercenários', deflagrada pela Polícia Civil. Na ocasião, 17 pessoas foram presas suspeitas de integrarem uma organização criminosa que matava pessoas por encomenda e mediante pagamento em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

   Entre os presos estão seis policiais militares, seis vigilantes e o gerente de uma empresa. As investigações apontam que os integrantes do chamado grupo de extermínio agiam na cidade desde 2013, ano em que 147 homicídios foram registrados em Várzea Grande, conforme dados estatísticos da Polícia Civil. Desde então – e até o dia 31 de março deste ano –, mais 420 homicídios ocorreram na cidade.

 

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